Fatura comercial antiga preenchida à mão, datada do início do século XX
Medidas: 21,7 x 23,5 cm
Peso: 50 g
Documento raro e completo, dirigido a uma figura da aristocracia portuguesa e preservado com selos fiscais originais, constituindo um testemunho autêntico da Lisboa da Primeira República. Peça de elevado valor histórico, fiscal, artesanal e sociocultural, difícil de encontrar no mercado e altamente apreciada por colecionadores exigentes.
No topo destaca-se em tipografia clássica o nome João Baptista França, com a designação profissional de "Armador e Estofador".
O cabeçalho inclui a nota de credibilidade: "Ex-encarregado das oficinas de estofador dos Srs. Elysio Santos & C.ª, onde esteve durante 22 anos". A prestigiada Elysio Santos & C.ª, Lda. era uma das casas de mobiliário e decorações mais conceituadas de Lisboa. O estabelecimento situava-se na Rua de S. Bento, N.º 228 - 3.º em Lisboa. O documento foi emitido em 1 de Março de 1919.
Emitida ao cliente "Ex.mo Sr. Conde da Foz".
Registo de trabalhos manuais detalhados, incluindo estofagem e fornecimento de materiais ("cobrir 1 banco dourado", "seda de requife", "pasta d'algodão", "coxim para 1 cadeira coberta em seda" e um "coxim para cadeira pintada a verde e ouro").
Apresenta marcações de datas de execução dos trabalhos nas margens esquerdas (referindo os meses de Dezembro e Fevereiro).
Os preços e parcelas estão organizados em colunas à direita, totalizando a quantia de 14$70 (catorze escudos e setenta centavos, a moeda instituída após a implantação da República).
No centro inferior, encontra-se a palavra manuscrita "Recebi", seguida da assinatura manuscrita do próprio proprietário ("João Baptista França").
Sobre a assinatura estão colados e carimbados dois selos fiscais da República Portuguesa (um de 2 centavos e outro de 1 centavo), datados com o carimbo oficial de 1 de Março de 1919, que serviam para liquidar o imposto de selo obrigatório na época para dar validade legal ao recibo.
Quem foi o Conde da Foz
O título de Conde da Foz foi criado em 1889 para António de Castelo Melhor, membro de uma família aristocrática com forte presença na vida política e social portuguesa. No século XX, o nome “Conde da Foz” tornou‑se associado a uma figura da alta sociedade lisboeta, conhecida pela sua ligação a círculos culturais, empresariais e diplomáticos.
A família Castelo Melhor manteve, ao longo do século, uma posição de destaque em Lisboa, sendo presença habitual em eventos oficiais, salões culturais, instituições de beneficência e ambientes ligados à monarquia constitucional e, mais tarde, à República. O título, embora nobiliárquico, continuou a ser usado socialmente mesmo após a abolição oficial dos privilégios da nobreza.
Ref. 9536-Cv-OM
Preço: 59,99€